domingo, 24 de abril de 2022

Os pioneiros da Psicologia Analítica no Brasil

         Como as ideias de Jung aportaram da Europa para o Brasil? Quem foram os responsáveis por essa nova empreitada? E qual era o contexto da época? São essas as perguntas que Arnaldo Alves da Motta, psicólogo, tenta responder de maneira bastante cuidadosa no livro Raízes da Psicologia Analítica: pessoas e contexto, da série Histórias da Psicologia no Brasil, CFP.

        Conhecer a situação e o processo histórico é importante para fortalecer a identidade profissional, permitindo a criticidade que imuniza de erros cometidos, e qualifica ações positivas engendradas no passado, que uma vez contextualizadas podem ser aprimoradas. 

        O perigo desta abordagem é o culto personalista, porém, uma vez alertados quanto a isso, passamos a encarar essas pessoas como indivíduos que dentro de suas limitações fatídicas, dão respostas autênticas para a sociedade, contribuindo de sua forma única para com ela. Assim é que Nise da Silveira, Pethö Sándor, e Léon Bonaventure são apontados como pioneiros na divulgação das ideias Junguianas no Brasil. Destes, Pethö Sándor e Léon Bonaventure são estrangeiros que se radicaram no Brasil, enquanto Nise é psiquiatra brasileira responsável por diversas iniciativas, como o Museu das Imagens do Inconsciente e a publicação de livros, entre ele: "Gatos, a emoção de lidar", "Terapêutica Ocupacional - teoria e prática" e "Jung, vida e Obra".

        Os três referidos profissionais possuem pensamento autônomo e diferenciado, no entanto, logo no primeiro contato se identifica os sulcos que a psicologia profunda deixaram em seu trabalho.

 

Pethö Sándor, criador da Calatonia. Foi professor do curso  de  Cinesiologia do Instituto Sedes Sapientiaeonde coordenava   grupos   de    estudo    sobre  Psicologia Analítica.    Seus     alunos    divulgam    suas   ideias atualmente   já   que  deixou  pouco  material escrito. Há  diversos  mestrados  acerca  do  método  da calatonia  e  toques  sutis, especialmente nos sítios da PUC. O curso Jung e Corpo atende a formação dessa abordagem,   além   de  possuir outras  influências de métodos corporais em sua grade.


Léon Bonaventure investiu em diversas iniciativas para a divulgação da Psicologia Analítica no   Brasil. Foi responsável pelo terceiro livro de Jung traduzido para  Português, que deslanchou a  tradução dos 18 volumes das Obras Completas de C. G. Jung, sob sua responsabilidade, de sua esposa, Jette Bonaventure, e de Mariana Ferreira da Silva. Em 1975 coordenou as comemorações para o centenário do nascimento de Jung, em São Paulo. Convidado por ele, diversos Junguianos do Instituto de Zurique vieram para o Brasil dar palestras e supervisões. Teve participação significativa nos primórdios da formação da SBPA. 


Nise da Silveira à esquerda, e C. G. Jung à direita.

 


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