segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Mercúrio Retrógado

        Para muitas pessoas que se dedicam a astrologia mercúrio não é só um planeta no céu, mas um símbolo vivo que os conecta ao seu ser atemporal. Os astros eram um dos temas arquetípicos prediletos de Jung, que os chamava de Deuses planetários, talvez por sua incursão na índia e no gnosticismo. Mas o que mercúrio retrógado poderia representar para nós?

         Mercúrio é um planeta de natureza duplex. Na alquimia ele é o grande fator que une opostos trazendo harmonia e paz entre os elementos. Sua natureza dupla já começa sendo expressa em sua velocidade aparente, pois dentre os planetas é o mais rápido, porém, cerca de três vezes por ano ele se mostra visualmente como se estivesse retroagindo, quase parando... 

         Temos aqui a representação de dois movimentos opostos da alma, que precisam ser harmonizados para haver equilíbrio: a velocidade e progresso por um lado, o freio e a lentificação por outro. Esses dois opostos são um assunto coletivo também, afinal, quem hoje em dia não quer atingir seus objetivos rapidamente? Muito facilmente entramos num ritmo veloz e automático, sem muito tempo para reflexão.

         Mesmo os mais apressadinhos às vezes não aguentam a pressão e querem fugir pro meio do mato! Mas não precisa ir tão longe. Um cantinho agradável na casa pode para meditar, orar, ou escrever algo pode ser o suficiente para se dar asas a mercúrio, e escutar o que o mensageiros dos deuses tem a nos dizer.

         Um símbolo da modernidade que entrou para o nosso imaginário foi o navio Titanic. A situação toda é uma analogia para quando se negligencia mercúrio retrógado. Titanic era um navio que prometia ser o mais veloz de todos. Iria encurtar espaços, conectar pessoas e promover mais negócios. Mas então o homem se encanta pelo seu feito, se torna imprudente, irreflexivo, e acelera ao máximo sua "ambição", levando a morte mais de 1.500 pessoas.

         Jung cita um paciente já estava na casa dos 40 anos. Seus sonhos indicavam que era hora de ele fazer uma parada na vida e se regozijar pelo que havia conquistado profissionalmente. Em um de seus sonhos ele voltava para a vila humilde onde tinha nascido, e um morador antigo falava: "esse nunca mais veio aqui...". O sonho lhe trazia a mensagem de que ele tinha que olhar para trás e não esquecer de onde veio.

         Em outro sonho um trem partia em alta velocidade, descarrilando na primeira curva e matando todos que lá estavam. Não era para ele entrar "naquele trem", era hora de ele desacelerar, e mudar de destino, caso não, uma tragédia poderia lhe acontecer. Mas ele não escutava nada, e continuava a galgar um cargo para o qual não tinha capacidade, até que uma piora no quadro psicológico o obrigou a parar de vez. Essa era a tragédia!

         Tais símbolos das tradições antigas nos ensinam como deve ser o movimento natural da vida , e nesse caso mercúrio retrógado seria um bom e velho amigo, que nos traz bons conselhos, boas reflexões e mudanças. Um anjo guardião. Acidentes e imprevistos acontecem só quando não escutamos as mensagens que ele tem para nos dar. Vamos com calma e atenção por aí, e como diziam os antigos magos, que mercúrio nos seja sempre favorável!



sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Mercúrio Retrógrado

 

Representação de mercúrio como mensageiro alado, muito parecido com a ideia do anjo guardião, mensageiro que guarda nossa alma, e faz a ligação entre o mundo espiritual e o mundo terreno.


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Símbolos vivos encontram uma correspondência inextricável entre a natureza das coisas e seu significado para a vida. Por isso ele é vivo. O planeta mercúrio continua sendo um símbolo vivo para muitas pessoas, como era no passado quando era um deus romano, quando era uma dominante espiritual na alquimia medieval, ou quando era um planeta atuante na antiguíssima ciência dos magos, a astrologia. Jung estudou mercúrio dentro do sistema astrológico e alquímico. Ele chamava mercúrio de um deus planetário, um arquétipo vivo na psique das pessoas, ou seja, para além do nosso ego. Quantos golpes no ego o estudo do inconsciente nos dá, e principalmente o estudo dos arquétipos. Eu não imaginava que estudar arquétipos a fundo ia me levar de volta para a minha antiga paixão soterrada, a astrologia!
Mas vamos meditar um pouco sobre Mercúrio. Todo mundo fala no mercúrio retrógado, ele costuma colocar medo em muitas pessoas. Mercúrio é um planeta rápido, mensageiro veloz, porém, nunca se esqueçam de sua natureza duplex. Na alquimia ele é o grande fator que une os opostos trazendo harmonia e paz entre elementos contraditórios. Nas relações mercúrio é conhecido por não gostar de brigas, ele gosta de trocas e amizade entre os diferentes. Um par de opostos que tem muito a ver com o nosso mundo moderno é a velocidade versus a calma, a paciência, a prudência, a espera, enfim. Esse é um assunto coletivo, afinal, quem nesse mundo não quer as coisas para ontem, e se tornam desatentas com vários outros aspectos da vida? E mesmo que vc não queira, os outros querem as coisas pra ontem, não é? Quem já não ouviu reclamação de como era bom quando as coisas eram mais tranquilas e a gente tinha tempo para andar de cavalo (ao invés de carros e trens bala), como era bom sentar na frente de casa e conversar com os vizinhos. Saudade do mundo mais retrô! Sabe de uma, sempre tem uns momentos que os apressadinhos que adoram a última novidade em tecnologia dão aquela surtada básica e dizem que querem sumir e ir morar no meio do mato, só para parar e poder se escutar um pouco mais. Mas não precisa ir no mato para escutar o que mercúrio tem a dizer, sentar para meditar e orar já ajuda bastante, e pode ser feito dentro de nossas casas em algum cantinho especial. O planeta mercúrio está muito bem com seus dois estados, pois ele é o próprio deus planetário que é veloz na metade de si, e na sua outra metade sabe andar devagar, com prudência e atenção. Nos movimentos de retrogradação se tem a impressão que os planetas que estavam já pra trás passam por ele novamente. E daí vem a pergunta? Mercúrio está realmente andando para trás? Ou os outros planetas que estão apressadinhos e desatentos demais?
É, entendo porque mercúrio retrógado está tão na moda, pois a pressa, a alta eficácia, a vontade de chegar lá desrespeitando o tempo e o cuidado com a vida, é um carma desse mundo pós-moderno, ou seja, todo mundo está vivendo isso quer queira quer não. Até isso ser superado, essa contradição vai inevitavelmente afetar todo mundo de maneira mais aguda. Então o problema não esta no mercúrio retrô, está nas pessoas que não integraram esses opostos em sua vida, nem escutam o mensageiro capaz de fazer essa alquimia.
Um grande símbolo do mundo moderno, e que entrou pro nosso imaginário foi o navio Titanic. Essa história fala bem disso. A construção de um navio incrível para a humanidade, pesadíssimo, enorme, flutuava no mar com extrema elegância, e prometia ser o mais veloz de todos. Era ele um mercúrio em forma de navio, que ia encurtar distâncias, aproximar pessoas e promover mais trocas de conhecimento, e nos negócios, fazer a humanidade avançar! E o homem que devia ter responsabilidade sobre sua criação, não soube esperar e ser prudente, não soube escutar mercúrio, o sábio mensageiros dos deuses, e colocou o navio na maior velocidade possível, batendo no iceberg e matando mais de 1.500 pessoas. O Titanic virou um símbolo da sombra do progresso da modernidade e sua falta de respeito pelo mercúrio duplex. Tanta pressa, e esquecemos de cuidar da vida, de atentar, de escutar a prudência! Vá com calma na vida... cuidado com sua velocidade e desatenção. E não culpem o pobre mercúrio, nosso bom e velho amigo! Ele é um anjo da guarda para quem quer se abrir para escutar suas mensagens!
Pensando bem, será que um dia iremos superar as contradições que existe em nós? Creio que não totalmente, mas estamos aqui para aprender.
Jung conta sobre um paciente seu que tinha uma neurose, ele já havia galgado sucesso profissional e os seus sonhos traziam uma mensagem que ele não queria escutar, junto com um aviso do que poderia acontecer com ele caso não escutasse a mensagem do inconsciente, um agravamento do seu quadro neurótico. Seu paciente de quase 40 anos queria trabalhar mais, para subir na vida ainda mais, se esqueceu de onde veio, um vilarejo mais humilde na Suíça, e já se achava superior a todos que lá moravam. Em seus sonhos ia no vilarejo e obtinha o ponto de vista dos moradores, que falavam pelas costas "esse nunca mais veio aqui"... Seus sonhos indicavam tanto que ele não tinha capacidade de conseguir uma chefia, como que ele já devia estar satisfeito com o que havia conquistado profissionalmente, e não devia esquecer de suas raízes. Jung viu que não tinha muito tempo e falou sobre a interpretação dos sonhos do paciente de maneira direta. Ele não escutou e a tragédia aconteceu. Viajou a negócios e lá teve o surto que o levou a internação clínica e até arruinou a profissão dele naquilo que ele já havia conquistado. No sonho um trem andava em alta velocidade, mais do que deveria, ele não subia no trem e via o que aconteceria com o mesmo mais a frente, um descarrilamento que matava a todos. Um sonho que poderia ser entendido pelos astrólogos como consequência nefasta de mercúrio retrógrado, como o Titanic que virou um símbolo. E o que deu todo o problema foi a recusa de escutar o mensageiro do inconsciente que dizia para desacelerar.
Obs.: não quero dizer que esse é o único significado para mercúrio retrógado.


quinta-feira, 26 de maio de 2022

Dica de como usar óleo essencial de Canela para não irritar a pele

          

           O óleo essencial de canela é maravilhoso para nos sentirmos aquecidas, acolhidas, abraçadas, quentes e desinibidas. Além disso, ele tem a propriedade de enquanto nos aquece diminuir a pressão sanguínea levemente, ou seja, ele nos relaxa. Sou suspeita, o óleo essencial de canela é um dos meus aromas preferidos desde sempre. Se fala muito que o óleo essencial de canela é bom para aumentar a libido feminina, e isso ocorre devido ao fator desinibidor que ele provoca, mas é claro que podemos usar ele em várias outras situações do dia a dia, e inclusive elegê-lo como nossa marca pessoal.

            Mas tem um problema no óleo essencial de canela que quem já usou sabe. Ele é carmitativo e irrita a pele, ela fica vermelha e queima realmente. Por isso sempre enfatizam que este óleo deve ser usado junto com um óleo vegetal carregador, mas mesmo usando dessa forma ele deixa a pele irritada e avermelhada em alguns pontos. 

            Para resolver esse problema vou passar uma dica simples de alquimia. Use o óleo essencial com um óleo complementar que irá equilibrar suas propriedade quentes excessivas. Misture óleo de canela com o óleo essencial de alecrim, que é estimulante e frio. Coloque mais óleo de canela que de alecrim se quiseres enfatizar a canela, e bum, está criada uma sinergia perfeita que não irritará mais a sua pele. Assim você terá os benefícios terapêuticos e energéticos da canela em suas mãos, e de quebra a alegria e despertar do alecrim.

            A canela funciona muito bem em banhos, e nesse caso ela também pode irritar a pele, deixando alguns pontos avermelhados e irritadiços. Para resolver o problema proceda da mesma forma. Faça o chá de canela em pau junto com um galhinho de alecrim, uma quantidade suficiente para banhar todo o corpo, e quando estiver com uma temperatura adequada derrame no corpo inteiro depois do banho normal. Sou adepta dos banhos de cabeça e tudo.

            Uma pequena dica aos alquimistas aqui presentes em corpo, alma e espírito.


domingo, 24 de abril de 2022

Os pioneiros da Psicologia Analítica no Brasil

         Como as ideias de Jung aportaram da Europa para o Brasil? Quem foram os responsáveis por essa nova empreitada? E qual era o contexto da época? São essas as perguntas que Arnaldo Alves da Motta, psicólogo, tenta responder de maneira bastante cuidadosa no livro Raízes da Psicologia Analítica: pessoas e contexto, da série Histórias da Psicologia no Brasil, CFP.

        Conhecer a situação e o processo histórico é importante para fortalecer a identidade profissional, permitindo a criticidade que imuniza de erros cometidos, e qualifica ações positivas engendradas no passado, que uma vez contextualizadas podem ser aprimoradas. 

        O perigo desta abordagem é o culto personalista, porém, uma vez alertados quanto a isso, passamos a encarar essas pessoas como indivíduos que dentro de suas limitações fatídicas, dão respostas autênticas para a sociedade, contribuindo de sua forma única para com ela. Assim é que Nise da Silveira, Pethö Sándor, e Léon Bonaventure são apontados como pioneiros na divulgação das ideias Junguianas no Brasil. Destes, Pethö Sándor e Léon Bonaventure são estrangeiros que se radicaram no Brasil, enquanto Nise é psiquiatra brasileira responsável por diversas iniciativas, como o Museu das Imagens do Inconsciente e a publicação de livros, entre ele: "Gatos, a emoção de lidar", "Terapêutica Ocupacional - teoria e prática" e "Jung, vida e Obra".

        Os três referidos profissionais possuem pensamento autônomo e diferenciado, no entanto, logo no primeiro contato se identifica os sulcos que a psicologia profunda deixaram em seu trabalho.

 

Pethö Sándor, criador da Calatonia. Foi professor do curso  de  Cinesiologia do Instituto Sedes Sapientiaeonde coordenava   grupos   de    estudo    sobre  Psicologia Analítica.    Seus     alunos    divulgam    suas   ideias atualmente   já   que  deixou  pouco  material escrito. Há  diversos  mestrados  acerca  do  método  da calatonia  e  toques  sutis, especialmente nos sítios da PUC. O curso Jung e Corpo atende a formação dessa abordagem,   além   de  possuir outras  influências de métodos corporais em sua grade.


Léon Bonaventure investiu em diversas iniciativas para a divulgação da Psicologia Analítica no   Brasil. Foi responsável pelo terceiro livro de Jung traduzido para  Português, que deslanchou a  tradução dos 18 volumes das Obras Completas de C. G. Jung, sob sua responsabilidade, de sua esposa, Jette Bonaventure, e de Mariana Ferreira da Silva. Em 1975 coordenou as comemorações para o centenário do nascimento de Jung, em São Paulo. Convidado por ele, diversos Junguianos do Instituto de Zurique vieram para o Brasil dar palestras e supervisões. Teve participação significativa nos primórdios da formação da SBPA. 


Nise da Silveira à esquerda, e C. G. Jung à direita.

 


Por que os alquimistas fazem segredo da alquimia?

        


        É quase que unânime a opinião de que a origem da alquimia se deu no mundo egípcio. Tecnologicamente o grande avanço que aquele povo teve ainda hoje intriga egiptólogos e a humanidade. Também intriga os cientistas devido a complexidade religiosa que lá existiu, sendo inclusive a origem da concepção monoteísta de deus por um curto espaço de tempo. O Deus dos deuses fora aglutinado na imagem do Sol no reinado de Akenaton e sua esposa Nefertite.

        Foi no Egito que os alquimistas começaram a fazer segredo de seus conhecimentos. Somente quem os detinha eram os sacerdotes, e se estes quebrassem seus votos de silêncio eram punidos com o ostracismo, ou mesmo com a morte pelos de sua própria casta sacerdotal. Assim como no mundo de hoje, muitas vezes o grande faraó era na verdade dominado por aqueles que realmente tinham o poder, naquele contexto era a casta religiosa que o detinha. O faraó para saber de alguns segredos tinha que passar por vários rituais.

        Os sacerdotes entronizavam suas concepções alquímicas do universo, e sua contraparte, a astrologia,  na sua religião. E, na verdade, podemos pensar se de fato havia separação entre estas e a religião egípcia? Suas mega construções atestam a filosofia de que o que está em cima é igual ao que está embaixo. Por meio dessas construções se buscava trazer para a terra as forças celestiais e levá-las da volta para o céu, pois acreditava-se na magia dessas construções para beneficiar o Egito. 

    A tábua de Esmeralda escrita por sacerdotes do deus Thoth traz a ideia da unidade do universo entre o que está em cima e o que está em baixo, além de toda a ideia de que os astros e elementos da natureza se unem para criar o mundo, inclusive o homem e a mulher divinizados e encarnados neste mundo. Também há a ideia na tábua esmeraldina de que todas as ciências e tecnologias que o ser humano poderia criar viriam das inumeráveis adaptações contidas sinteticamente nos princípios thothianos presentes na tábua.

        A alquimia nunca esteve separada da astrologia no Egito e nem em nenhuma época e lugar. Os astros eram forças ou deuses planetários sempre presentes. Os sacerdotes certamente eram astrólogos que adoravam diversos deuses, numa amálgama de crenças em constante gestalt para a formação de um todo coerente. Podemos ver essas concepções convivendo juntas na Índia de hoje, e não é difícil imaginar tal convivência no Egito Antigo, ou seja, diversas personificações de deuses junto com forças planetárias ou astrológicos. Dessa forma podemos entender que por um curto período tenha sido possível a maturação da ideia de que a principal divindade no Egito tenha sido o sol, astro que daria a luz a todas as outras divindades, já que isto estava implícito no sistema astrológico, ou seja, uma consciência monoteísta estava em vias de desenvolvimento por meio da imagem mandálica do sistema solar.

        Nessa imagem mandálica o sol é o astro central, ele é a origem da luz. Além disso, ele é o astro regente, sendo todos os outros satélites e planetas visíveis somente na medida em que podem refletir a luz em torno do qual giram. Desnecessário dizer que o conhecimento do nosso sistema solar já era presente entre os povos antigos, e que também existia uma matemática que permitia a realização de cálculos bastante precisos acerca dos movimentos dos corpos celestiais. Os calendários deles também eram bastante precisos.

        Akenaton foi um faraó que trouxe por um curto período de tempo esse tipo de ideia de um astro ou Deus central. Akenaton significa aquele que reflete o sol, ou aquele que serve ou manifesta Aton. Na alquimia o Sol estava relacionado ao ouro, objeto sempre presente nos cultos de adoração do Egito por representar simbolicamente a luz imortal na terra. Muito provavelmente Akenaton, sua esposa, e mesmo seu filho que o substituiu, Tutankamon, foram mortos pelas forças conservadoras sacerdotais de Tebas.

        Por volta do ano 300 a.C uma coisa inédita na história aconteceu: um verdadeiro golpe na casta sacerdotal Egípcia. Um conquistador bem generoso no que diz respeito ao conhecimento surgiu. Chamado Alexandre, o Grande, ele deu início ao Egito-Helênico que durou até o ano 300 d.C. aproximadamente. Alexandre era um verdadeiro cosmopolita, que levou para suas conquistas as ideias da Grécia do amor ao conhecimento e à verdade. Foi em Alexandria que foi fundada a maior biblioteca do mundo antigo onde fora exposto para o público todo o conhecimento disponível do Egito. Aliás, a princípio esse foi o principal propósito da biblioteca, guardar os famosos textos contidos nos pilares de Hermes e outros textos do Egito. Logo a cidade passou a atrair sábios de todo o mundo conhecido, que levavam outras formas de conhecimento e sabedoria, além de disseminarem para outros lugares tudo o que estava sendo construído nessa efervescente cidade. 

        Me parece que a  humanidade em geral não gosta muito de luz. A biblioteca de Alexandria foi queimada diversas vezes por outros conquistadores até quase nada mais restar. Porém, antes de se entrar na idade das trevas a biblioteca já havia cumprido sua missão: o conhecimento antigo se espalhou, se desenvolveu em novas e melhores formas para depois ser possível o seu retorno. Mas muita coisa tem que ser resgatada, pois há de fato conhecimentos que foram perdidos.

        Já na época da Alexandria o mais famoso dos alquimistas havia novamente mostrado a tendência antiga dos egípcios de se esconder o conhecimento alquímico. O nome dele era Zózimo de Panápolis, um gnóstico oriundo das primeiras vertentes cristãs do gnosticismo. Os livros de alquimia no oriente, como na Índia ou China, são sempre muito mais claros, e no ocidente toda a coisa é velada desde o Egito, passando pelos gnósticos e chegando a muitos alquimistas da idade média, renascimento e sociedades "secretas" atuais. Os livros ressuscitados por Jung em sebos eram livros que sempre escondiam e confundiam os significados dos símbolos alquímicos, e, na verdade, este conseguiu entender muita coisa graças ao seu método de simbologia e mitologia comparada, ou seja, justamente pela sua excursão em outras culturas.  

        A proposta do segredo sempre é acompanhada de ideias religiosas e místicas que estratificam a sociedade entre aqueles que sabem daqueles que não sabem, origem das castas. Os maçons, por exemplo, que se dizem os herdeiros dos mistérios egípcios, também funcionam como sociedade secreta, fazendo segredos e mistérios. Também, como sabemos, e essa parte eles não escondem, são formados preferencialmente por pessoas que visam poder mundano e influência na sociedade.

        Como nos é passado na versão da histórica atual, onde temos um bode expiatório bem identificado, nos dizem que os alquimistas faziam tanto segredo porque a Igreja Católica os iriam perseguir. Bem, isso não explica muita coisa. No Egito não existia esse bode expiatório, com Zózimo também esta não existia enquanto poder para perseguir ninguém na Alexandria. Por que Zózimo proporia novamente o segredo depois de toda a liberdade que ele experimentou na Alexandria? Também não explica porque os alquimistas católicos são os mais claros em seus textos a respeito dos conhecimentos de sua época, enfim... também não explica essa continuidade histórica que podemos encontrar, só a título de exemplo, na maçonaria que se arvora herdeira desse conhecimento que para eles deve ser secreto por motivos intrínsecos a sua organização, e não porque se sintam ameaçados por algo que venha de fora.

        Desde Jung e Mircea Eliade, e desde a abertura maior para a tradução de livros de alquimia de outros povos de línguas diversas, que surge no mercado editorial publicações mais claras e comprometidas com o saber, que aos poucos vão revelando o que de fato é a alquimia, sem dar azo a criações místicas e meio esquizotípicas que os segredos propiciam. Essa atitude que secreta sempre foi um terreno fértil para que a imaginação humana realmente "saísse da casinha", atraindo aqueles que tem essa tendência, e levando a cada vez mais descrédito tais formas de conhecimento acerca do corpo, da alma e do espírito, do mundo e do cosmos. Os livros históricos tem sido recuperados, os símbolos descerrados, o que foi feito para despistar tem sido desmascarado e o que é de fato real fica mais claro.

        Não precisamos nem é possível esconder a luz do sol, do conhecimento e da verdade.  Se o conhecimento alquímico é velado a alguns é por causa de sua natureza simbólica que necessita de vivência, reflexão, e sabedoria interior para ser aberto. No mais, o sol é gratuito e brilha para todos bastando se ter olhos para ver.


"Não há ninguém que depois de acender uma candeia a esconda debaixo de um jarro, ou a coloque sob a cama. Ao contrário, coloca-a num lugar apropriado, de maneira que todos aqueles que entrem vejam o resplandecer da luz" (Lucas 8:16).

        


sexta-feira, 15 de abril de 2022

O que aprendi sobre o cristal Citrino?

 


        Entrei na jornada dos cristais, e estou os conhecendo da melhor maneira que podemos conhecê-los, usando-os. Depois da minha aventura pelo quartzo rosa e o meu reconhecimento "by experience" de que ele realmente traz a tona os traumas de nossa criança interior para serem desbloqueados e limpos, me empolguei com os cristais e comecei a trazê-los para minha vida. Fui em busca da pedra citrino por dois motivos: queria me conectar com meu plexo solar, e queria prosperidade em minha vida.

        A primeiro coisa que tenho a dizer é que imaginava que iria ser invadida pelo raio solar quente e vibrante, calorento, o que não me era imaginariamente nada agradável. A segunda coisa que pensei foi que o nome citrino vem de cítrico, indicando uma pedra limão meio cítrica, o que me era mais ou menos imaginariamente agradável. Mas como disse, falarei do meu relato pessoal, do que aprendi até aqui no meu contato real com a pedra... colocando ela no meu peito e eventualmente a segurando durante oração e meditação me veio intuições e sensações energéticas de que essa linda pedra na verdade tem uma luz solar doce e calmante. Sua quenturinha é reconfortante, seu sol ameno ilumina e traz beleza sem tirar o frescor e a calma da alma. Ela traz calma junto com a positividade solar. Ela não irá te incomodar com raios solares intensos de jeito nenhum, ela trará luz na sombra. É uma linda pedra. Ela brilha, mas seu brilho não a faz brilhar no seu corpo sutil de maneira intensa, só quem vê e aprecia a beleza de uma luz assim irá perceber ela irradiando em você. Ou seja, as pessoas mais calmas e que tem equilíbrio para ver, verão o reflexo dela em você. A luz não é introspectiva, mas também não é expansiva e gritante, como já disse, é uma luz solar calmante e agradável.

        Uma outra coisa que notei é que ela é doce... talvez em outras pessoas ela irá atuar de outras formas. Mas comigo ela foi associada a camomila e ao mel, por sinal, fiquei com vontade de comer um melzinho e tomar chá de camomila num dia, e depois entendi que a pedra me levou a isso. Olhem a cor dela e vejam como ela é um amarelo doce e calmante! Camomila e mel são dois elementos solares segundo os estudiosos dos símbolos. Usar essa pedra tem um potencial de nos abrir para a prosperidade como os girassóis que se voltam para o sol. Mas esses girassóis maravilhosos e positivos, de novo, estão num dia ensolarado, bonito e ameno. Fresco, agradável.

        Até o momento percebo o seu poder de expulsão do "espírito da pobreza", no sentido de que ela afasta pensamentos negativos que nos impregnam. Não é bobagem, muitos pensamentos negativos acabam levando você ao medo e a escassez. Por acreditarmos nos nossos pesadelos de pobreza, e de que nada dará certo, claro que magnetizamos isso. Quanto a isso tenho a dizer que a pedra é uma mestra, e que mal começou a me ensinar sobre.

        Sobre o meu sistema digestivo, outra propriedade referida da pedra citrino é que ela auxilia esse sistema. Confirmo essa informação pela minha experiência. Estava sofrendo com isso devido a gravidez, e mesmo sem programá-la para tanto ela atuou no meu estômago, me auxiliando nos gases que estava tendo e que me levavam a ter dor no peito. Sensação horrível, por sinal. Além de uma atuação sensorial no plexo solar nesse sentido, pois ela me levou a me conectar sensorialmente com meu plexo, depois percebi os arrotos sendo liberados e ficando em paz com o estômago, e a dor no peito cessou. Hum! interessante! Como disse, usei a pedra sem pensar nisso, e sem programá-la para tanto, mas aconteceu no mesmo dia. Mas como será que a pedra age para atuar no sistema físico? Acredito, como Alice Howell, que o símbolo é como um anzol que nos ajuda a pescar coisas que estão no inconsciente e subconsciente, embora não soubesse dessa informação antes, depois descobri que chá camomila é infalível para gases. A pedra-anzol me ajudou a pescar essa informação que se apresentou no meu campo em forma de intuição. Quando uma intuição me chega dessa forma eu somente obedeço. Por isso que digo, quem sabe para quem precisa de outra cura ela é uma pedra cítrica, para mim ela agiu mais como uma "calmotrino" ou como uma "meltrino" ;)

        O citrino tem muitas vezes uma cor fumê em sua composição, passando uma ideia de complementaridade entre a luz solar e o escuro. Pelos caminhos interiores ela vai ensinando e despertando sobre a gratuidade da luz solar para aqueles que podem, querem e merecem ver.

        Seguirei usando e conhecendo pela minha própria experiência a pedra citrino!